sábado, 16 de outubro de 2010

No País dos Andrades; by Carlos Drummond de Andrade (Ohhhhh!)

No pais dos Andrades, onde o chão é
forrado pelo cobertor vermelho de meu pai,
indago um um objeto desaparecido há trinta anos,
que não sei se furtaram mas só acho formigas.

No país do Andrades, lá onde não há cartazes
e as ordens são peremptórias, sem embargo tácitas,
ja não distingo porteiras, divisas, certas rudes pastagens
plantadas no ano zero e transmitidas no sangue.

No país dos Andrades, somem agora os sinais
que fixavam a fazenda, a guerra e o mercado,
bem como outros destritos; solidão das vertentes.
Eis que me vejo tonto, agudo e suspeitoso.

Será outro país? O governo pilhou? O tempo o corrompeu?
No país dos Andrades, secreto latifúndio,
A tudo pergunto e invoco; mas o escuro soprou; e ninguém me secunda.

Adeus, vermelho
(viajarei) cobertor de meu pai.

Resenha:
Eis aqui uma bela interpretação de como seria um pedaço de terra digno de ser habitado, onde não existe essas besteiras que se encontram no mundo moderno: burocracia, violencia, corrupção...
Todas essas coisas de que o mundo menos precisa.
Simplesmente muito tocante.

E essa é só a primeira de várias poesias escritas por genios como Carlos Drummond de Andrade que serão postadas no NewsLitWriters. Quem sabe a próxima obra poderá ser a sua?

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